Perguntas freqüentes sobre a Pedagogia Waldorf

Por que não há diversificação de objetos coloridos, com diversos formatos, para as crianças na faixa etária de 2 e 3 anos brincarem em sala, já que é útil no aprendizado das cores e figuras geométricas?

Ao nascer, a criança sai de um mundo protegido e confortável e tudo que se encontra fora dele é novidade para ela que, por sua vez, terá que aprender tudo, a começar pela respiração.

Todo esse processo de relação com o mundo passa por várias etapas e se metamorfoseia à medida que a criança vai crescendo. São etapas bem definidas que devem ser atendidas de acordo com as necessidades inerentes a cada uma delas.

É nos três primeiros anos de vida que a criança forma a base para toda sua vida futura: no primeiro ano de vida ela aprende a andar; no segundo começa a desenvolver a fala; no terceiro a pensar.

Na verdade, essa base mencionada, completa-se por volta do sétimo ano de vida.  Porém, são os três primeiros anos que constituem o alicerce sobre o qual se desenvolverá todo o restante.

É partindo do conhecimento dessas três necessidades básicas que são oferecidas às crianças brinquedos que possibilitem a elas treinar incansavelmente suas primeiras conquistas: no primeiro ano de vida – sentar, engatinhar, erguer-se, andar. Para tal, é necessário oferecer à criança um espaço que possibilite amplos movimentos, objetos grandes onde ela possa se apoiar por conta própria e “treinar” essa grande conquista, o que não impede de ter junto a ela brinquedos bem simples como uma bola de pano, chocalhos de madeira, boneca de nó, feita com um pano que pode servir também para se esconder…

Por volta do segundo ano, já tendo conquistado a liberdade do movimento e liberado as mãos que antes serviam de apoio para o andar, esse mesmo movimento passa a ser agora a base para o aprendizado gradual do falar. Segundo R. Steiner, a fala é movimento transformado, é equilíbrio transformado, e é feito por imitação. Contudo, tendo as mãos liberadas ela quer vivenciar o que pode fazer com elas: encher uma cesta com toquinhos e os virar, empilhá-los dentro de um carrinho, carregar objetos de um lado para o outro, tirar os talheres da gaveta e muitas outras coisas numa atitude séria e concentrada como que imitando os afazeres do adulto. Com esse impulso espontâneo, ela quer, e precisa, desenvolver suas habilidades motoras, principalmente das mãos. Pois, quanto mais ela praticar o movimento, melhor será o desenvolvimento da fala que tem sua outra âncora no falar bem articulado e ritmado dos adultos que ela imita.

Portanto, o brinquedo nessa fase tem que dar possibilidade de movimento. Muitas vezes esse brinquedo é o próprio corpo: rolar no colchonete, passar engatinhando debaixo de uma mesa, pular de um degrau à altura de suas possiblidades, entrar dentro de caixotes, caixas, rolar bola pelo chão etc.  As brincadeiras cantadas e com gestos também tem grande valor no que diz respeito ao desenvolvimento dos movimentos e da fala.

Por volta do terceiro ano, a criança tem seus primeiros lampejos de consciência. Começa a perceber o outro e o mundo diferente dela mesma como experiências de oposição. Até o momento ela falava: “Júlia quer água”, agora ela diz: “Eu quero água”, mostrando uma percepção de si mesma que a maioria das vezes vem acompanhada por uma fase de birra.  Diz não para tudo, embora muias vezes esteja dizendo não e fazendo com alegria o que foi solicitado. Tudo isso faz parte da primeira etapa do despertar do pensar.

Nesta fase já está mais crescida, e cada vez mais ágil e segura em seus movimentos. Com muita animação a criança dança, canta, corre e, dançando, cantando, correndo, aos poucos a linguagem, que teve sua base no movimento, serve de base para o pensar (lampejos de consciência) que se expressa progressivamente por meio da fantasia.  Ou seja, sem refletir, ela exercita o pensar, e qualquer pedaço de madeira se transforma num cavalo, num barquinho, numa boneca, numa espada.

Daí a importância de oferecer brinquedos os mais simples possíveis para que ela possa exercitar sua capacidade do pensar criativo e formar seu próprio mundo interior, a partir de vivências que tragam em si verdades e conhecimento sobre o mundo. Nesse momento elas vivenciam brincando, e no futuro essas vivências e brincadeiras se transformam, na hora, certa em rica vida interior e conhecimento lógico.

Por isso os brinquedos devem possuir as características mais naturais possíveis, no sentido de formato, cor, cheiro, textura. Como exemplo: toquinhos, sementes, panos de algodão, bolas de pano, bonecas simples de pano, carros de madeira, etc… Alguns brinquedos podem ser produzidos na presença delas para que percebam o processo, e não só recebam o brinquedo pronto. Aliás, a partir dessa fase, o que eles mais querem e precisam É fazer: fazer comida, plantar, varrer, lavar, lixar, bater prego, enfim …

Respondendo mais diretamente à pergunta: é importante que haja diversificação de objetos com formatos variados, mas que esses tragam em si um gesto, uma verdade, que se conecte com a vida.  Podemos, por exemplo, considerar que o plástico é muito útil para os dias de hoje, mas é um material sintético, transformado e que não traz a riqueza de texturas e o conhecimento intrínseco da natureza e de suas leis como o fazem os materiais naturais.

No que diz respeito à cor, as cirianças poderão vivenciá-las na cor natural dos objetos, nas cores dos tecidos e, naturalmente, imitando as pessoas ao seu redor elas aprendem a diferenciar uma da outra.

A figura geométrica é com certeza vivenciada nos objetos mas o objetivo não é ainda ensinar cores e figuras geométricas formalmente, e sim proporcionar vivências que colaborem com o bom desenvolvimento da criança segundo as necessidades características de cada fase de sua vida, que formem um repertório pleno de sentido para ela, o qual ela possa levar, de forma viva, crescendo e evoluindo com ela, para toda a sua vida.

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4 respostas para Perguntas freqüentes sobre a Pedagogia Waldorf

  1. antonio bazola disse:

    estamos criando uma escola waldorf em cabinda angola gostria de saber sobre como pintar as salas em funcao das classes.quais as cores por cada sala de aulas.

    • Beth disse:

      No site “Waldorf Today” (http://www.waldorftoday.com/2010/12/color-in-the-waldorf-school-van-james/) consta um tom rosa morno, leve para a pré-escola (maternal e jardim de infância) e lá se indica tons quentes avermelhados para os primeiros anos do segundo setênio, passando pelos laranja/amarelo no 3º ano, aos verdes nos 4º e 5º anos e depois aos azuis. Lá pelos últimos anos de escola, na adolescência, indicam-se lilazes e violetas.

      “For instance, in the nursery, kindergarten, and early grades, a soft, warm, pink tone is usually selected for walls and curtains because of its gently active and supportive quality. Pink is a loving, innocent color, decidedly feminine in character. Therefore, it is a natural color choice for the daily embracing of this age group.

      The Waldorf classroom colors evolve from these warm, reddish tones in the early grades, through energetic orange/yellow around third grade, into the middle spectrum greens around fourth and fifth grade. It is here at the half-way-point of childhood that a kind of balance is achieved just before the onset of puberty. Green is the balanced color between light and darkness, and meets this age group in a harmonious way. From sixth grade on into the high school, various shades of blue dominate, and even lavender, lilac, and violet tones are indicated for the more inwardly active, thoughtful work of the upper school adolescent. However, craft rooms are often appropriately painted with warm colors, and spaces for eating are aided by appetite sympathetic golden-orange colors.”

    • Robert Cecílio disse:

      Olá Antônio Bazola, sou o Robert, te conheci no encontro de Professores Waldorf em São Paulo. A muito tempo estou querendo falar com vc. A respeito da sua pergunta, segumdo Rudolf Steiner a cor ideal para as salar do primeiro setênio é o magenta. Pra ser mais específico o miolo da flor do pessegueiro. Essa cor irá trazer um pouco do aconchego que o útero trazia. Agora a respeito dos objetos dentro da sala o ideal é que seja com menos cor possível (no caso de Angola ou até mesmo o Brasil) pois diferentemente da europa que tem as estações muito bem definidas e no inverno tudo fica cinza do lado de fora ( nesses países as cortinas da sala e os objetos geralmente tem a cor do arco íris), já nos países que tem muita cor do lado de fora tem que ter menos cor do lado de dentro da sala. No caso as cortinas poderiam ser uma cor bem proxo do magenta, mas que seja um pouco mais quente, pra trazer um ambiente calórico e irá auxiliar no processo plasmador que as crianças estão passando. Espero que tenha te auxiliado e por favor. Entre em contato. Estou fazendo brinquedos de madeira aceitos pela pedagogia Waldorf. robertcecilio@gmail.com

      Abraço a todos e até mais

  2. Edinalva Pinto disse:

    Estou no 4º semestre de pedagogia e estou vendo a pedagogia w., a princípio fui reticente aos seus conceitos mas, quanto mais pesquiso sobre o assunto , mais percebo o quanto seus métodos podem contribuir no para o aprendizado infantil. Obrigada, o texto apesenta de forma suscinta informações importantes para meu trabalho.

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