Sete mitos da inserção social do ex-aluno Waldorf

Texto copiado de http://sab.org.br/pedag-wal/artigos/mitos.htm

Outubro de 2007

Este é o 1º recorte de uma ampla pesquisa, desenvolvida pelo casal de pais da Escola Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo, Wanda Ribeiro (socióloga) e Juan Pablo de Jesus Pereira (engenheiro civil e empresário), que pretende investigar e relatar a trajetória de vida de ex-alunos Waldorf.

A história que os levaram a ela é bastante interessante. Em 1994Juan Pablo ouviu , por meio de um ex-sócio com quem havia retomado uma sociedade, pela primeira vez em sua vida falar de Rudolf Steiner, de Antroposofia e de Pedagogia Waldorf. A descrição de algumas características desta última deu-lhe um sentimento de já a ter conhecido por toda a sua vida. Uma “paixão à primeira vista”. A partir daí seguiram-se muitas conversas sobre o assunto, leituras e ida às festas juninas e aos “bazares” nas Escolas Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo (EWRS) e Francisco de Assis. Em 1998, a ida ao teatro do 8º ano do ano da EWRS acabou por transformar aquela “paixão” em um sólido amor.

Sempre que podia, Juan Pablo falava da Pedagogia nos mais diversos ambientes: em locais de trabalho, com amigos, parentes e, sistematicamente, ouvia as mesmas questões e inquietações: “Ah, com este ‘método’ ” os formados não vão passar no vestibular… não vão conseguir arrumar emprego… essa escola só deve formar artistas…” e muitas, muitas outras questões.

Ele tinha uma certeza “interna” de que nenhuma daquelas afirmações tinha fundamento, mas não tinha como “provar” isto.

O caminho de Wanda foi bastante diverso: Foi por meio de Juan Pablo, também em 1994, que pela primeira vez ela ouviu sobre Pedagogia Waldorf. Para ela, tudo aquilo que ele lhe relatava pareceu muito interessante, porém bastante distante de sua realidade. Além disto foram surgindo algumas dúvidas quanto ao futuro reservado a quem tinha uma formação escolar tão diferente.

Ao freqüentar as referidas festas juninas, os bazares e, finalmente, aquela peça de oitavo ano juntamente com Juan Pablo, surgiram a Wanda outras questões, agora voltadas para âmbitos mais social-antropológicos, tais como: com que visão de mundo os alunos saem dessa escola? Que Pedagogia é essa onde a arte é tão fundamental? Que estarão fazendo agora seus ex-alunos? Que caminhos seguiram? Como estudante de Ciências Sociais na época, veio-lhe a idéia de que essas questões dariam uma ótima pesquisa. Essa intenção, entretanto, acabou sendo adiada por diversos motivos. Apesar de achar que a Pedagogia Waldorf estava distante de sua realidade, os caminhos percorridos na busca de uma escola para o ensino fundamental de sua filha fizeram-na olhar de uma outra forma para a proposta dessa Pedagogia e, então, reconhecer os aspectos pelos quais Juan Pablo tanto se empolgara.

Finalmente, em 2001, o casal finalmente conseguiu colocar a filha, então com 9 anos, no 3º ano da EWRS e, logo a seguir, Juan Pablo começou a participar do Conselho de Pais, tendo trabalhado até o ano de 2004 em praticamente todos os âmbitos possíveis para um pai dentro de uma Escola Waldorf. Qual não foi a sua surpresa, ao freqüentar os âmbitos da Escola, perceber que também ali viviam as mesmas questões e inquietações e não somente em pais novos, o que seria de certa forma até normal, mas também em muitos pais mais antigos e em alguns professores. Isto inquietou-o fortemente durante um bom tempo, culminando com a resolução de que deveria fazer algo a respeito. Percebeu, então, que o caminho seria fazer uma pesquisa com os ex-alunos. Ao comunicar isto à Wanda, “descobriu” que esta era uma idéia que há tempos fazia parte de seus planos.

Decidiram então que, socióloga de formação, Wanda faria uso de seus conhecimentos para elaborar e executar uma pesquisa que se iniciou no segundo semestre de 2003. A investigação foi realizada junto aos ex-alunos, que são os atores do processo e, por isso, os únicos que podem responder com bases “reais” àquelas dúvidas.

Os resultados trouxeram argumentos para suas certezas frente à Pedagogia Waldorf e a vontade de compartilhá-los: “Números não podem expressar a essência do que encontramos nesse caminho e de todos os âmbitos que a Pedagogia Waldorf é capaz de atingir, mas podem dar um aspecto concreto aos resultados”, dizem os pesquisadores.

 

Sobre a Metodologia

 

– O campo de investigação escolhido foi a EWRS, primeiro porque é preciso localizar uma pesquisa no tempo e no espaço; segundo, porque ela tem um universo de ex-alunos suficiente para constituir uma base confiável para uma amostra estatística; terceiro, por ser a pioneira no Brasil, tendo diversas gerações de alunos egressos, o que nos dá uma visão mais ampla dos aspectos tratados neste estudo.

– No total foram entrevistados 135 ex-alunos, mas para este primeiro “recorte” trabalhou-se apenas com aqueles que efetivamente concluíram o ensino médio naquela escola. Assim, temos 108 ex-alunos, formados entre 1975 e 2002. Esses anos foram escolhidos porque 1975 foi o ano de formação da primeira turma do colegial. O ano de 2002 foi escolhido como limite, porque era preciso estabelecer um período que significasse um certo tempo de separação da Escola, para analisar a atuação “no mundo”. O número de 108 ex-alunos representa uma amostra com índice de confiança de 95% para uma margem de erro de 10%. Nesse período, segundo informações da própria escola, o total de formandos é de 1.345 alunos.

– A escolha dos entrevistados foi feita ao acaso e teve como fonte três tipos principais de colaboração: a indicação de pessoas fora do âmbito escolar que de alguma forma conheciam ex-alunos por terem trabalhado junto com eles, por conhecerem seus pais, ou alguma outra forma; a indicação dos próprios ex-alunos entrevistados; um “sorteio” realizado pelo Grupo de Ex-Alunos da Escola (GEA) segundo solicitação dos pesquisadores; participantes de reunião anual promovida pelo GEA, na qual foi possível realizar entrevistas com ex-alunos que se apresentaram espontaneamente.

– Foi feito um questionário, com perguntas abertas, que são aquelas onde o entrevistado tem maior liberdade para responder e não apenas alternativas para escolher. Este procedimento visava acima de tudo trabalhar não só os elementos quantitativos como também os elementos qualitativos, que poderão ser utilizados em vários outros recortes posteriores, pois se procurou investigar os mais diversos aspectos daquela formação escolar, sempre do ponto de vista sociológico.

– A Pesquisa não compara a Pedagogia Waldorf com outros sistemas pedagógicos nem a EWRS com outras escolas Waldorf. Ela ressalta as características que tornam a Pedagogia Waldorf “diferente” e relaciona sete mitos que esta “diferença” suscita (tanto no Brasil como no exterior). Obviamente, existem ainda outros “mitos” que não foram investigados.

Perfil dos ex-alunos entrevistados

42% do sexo masculino e 58% feminino

58% dos entrevistados entraram na escola no jardim-de-infância

21% ingressaram entre o primeiro e o quarto ano

15% vieram para a Escola entre o quinto e o oitavo ano

6% tornaram-se alunos no Ensino Médio

OS 7 MITOS e um resumo dos resultados obtidos:

1. Os ex-alunos têm muita dificuldade em passar no vestibular

100% dos que prestaram vestibular passaram, sendo 91% na primeira tentativa

2. Só passam em vestibular de faculdades de segunda expressão

68% entraram em faculdades de primeira expressão (segundo classificação do “Provão” do MEC)

3. Não têm capacidade para cursar uma faculdade

92% completaram com êxito o ensino superior

4. A Pedagogia Waldorf só forma artistas

Apenas 12% formaram-se em carreiras artísticas

5. A Pedagogia Waldorf não prepara para o mercado de trabalho

99% estão atuando no mercado de trabalho

6. A Pedagogia Waldorf não prepara para o mundo da competição profissional

84% não se sentiram prejudicados

7. A Pedagogia Waldorf é de doutrinação religiosa

100% não perceberam nenhum tipo de doutrinação religiosa

Sobre os pesquisadores

  • Wanda Ribeiro (wandar@uol.com.br) é cientista social formada pela Universidade de São Paulo em 2001, onde também graduou-se como Licenciada em Ciências Sociais em 2003. Fez o curso de formação de professores Waldorf de 2003 a 2006. É “mãe Waldorf” desde 2001.
  • Juan Pablo de Jesus Pereira (jpjeng@jpjeng.com.br) é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1978. Fez o curso de formação de professores Waldorf de 2003 a 2006 e é “pai Waldorf” desde 2001.

A filha do casal, Renata, é aluna da EWRS desde 2001 e atualmente está na nona série.

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2 respostas para Sete mitos da inserção social do ex-aluno Waldorf

  1. Mário disse:

    Pesquisa maravilhosa, pois foi o primeiro questionamento que me veio a mente quando minha amiga da Nova Acrópole me indicou a escola!
    Minha filha nasce em fevereiro, mas acredito que vocês serão excelentes companheiros em sua caminhada!

  2. emerson disse:

    muito interessante a pesquisa. eh uma forma de concretizar algo que percebe-se intuitivamente.

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